Incapacidade Funcional em Idosos


Para melhor compreensão do conceito de incapacidade funcional é necessário primeiro entender o conceito de incapacidade, o qual foi definido pela Organização Mundial de Saúde em um sistema de Classificação Internacional diferenciando Dano, Deficiência, Incapacidade e Desvantagem.

O dano é a doença. A deficiência se relaciona aos aspectos orgânicos, é a perda ou alteração das estruturas ou funções sejam elas psicológicas ou fisiológicas. A incapacidade é a falta ou limitação de uma habilidade, que resulta de uma deficiência, para realizar uma atividade rotineira. A desvantagem seria um prejuízo social resultante da deficiência e da incapacidade.

A incapacidade funcional é, portanto, a dificuldade ou dependência para realizar atividades típicas da vida cotidiana e aquelas pessoalmente desejadas na sociedade. Um exemplo, é a doença de Alzheimer (DANO) na qual tem se uma deficiência cognitiva a qual gera incapacidade funcional para atividades de vida  diária básicas e instrumentais. Esse indivíduo terá como desvantagem a dificuldade de relacionamento social e nas atividades econômicas.
A incapacidade funcional no idoso, geralmente ocorre de forma progressiva e gradual. No idoso, a avaliação da capacidade funcional é feita a partir de escalas que dividem as atividades de vida diária em básicas e instrumentais. Atividades básicas (AVD) são tomar banho, vestir se, usar o sanitário, mobilidade dentro de casa, continência fecal/urinária e comer. As atividades instrumentais (AIVD) são aquelas mais elaboradas, as quais exigem uma habilidade maior para realiza-las, como fazer compras, manusear o próprio dinheiro, cuidar da casa e fazer sua própria refeição, cuidar de suas próprias roupas, viajar, manter compromissos sociais, religiosos, etc., tomar seus medicamentos de forma correta, fazer trabalhos manuais e usar o telefone.



A perda funcional pode ocorrer por:

  • Deficiência física
  • Deficiência cognitiva
  • Distúrbios psicológicos
  • Fatores sócio-culturais

A incapacidade funcional pode ocorrer em qualquer idade, mas quanto mais velho maior é o risco de novas incapacidades, isso porque a incapacidade funcional está diretamente ligada a presença de outras doenças e principalmente à coexistência de várias doenças. As mulheres vivem mais tempo com incapacidade funcional do que os homens, como mostra o gráfico abaixo:

A incapacidade funcional é fator de risco para muitos desfechos desfavoráveis em idosos como: institucionalização, quedas, imobilidade, hospitalização, maus-tratos e morte.
A capacidade funcional prévia é um marcador de prognóstico em idosos hospitalizados com doenças agudas ou doenças crônicas agudizadas, inclusive com infecções.
O diagnóstico de incapacidade funcional é feito a partir da avaliação funcional e esta permite conhecer como o idoso vive os anos adicionais ganhos com o aumento da longevidade; Ela também estabelece critérios para indicar reabilitação, internação, institucionalização e alta e ainda serve de guia para as modificações e adaptações do ambiente em que o idoso vive visando preservar a sua independência.
A avaliação funcional é definida como um conjunto sistematizado de informações, testes e escalas que mensuram a capacidade do idoso de executar as atividades para o seu autocuidado e de viver independente em seu meio.
Os métodos utilizados para uma avaliação funcional são realizados de uma maneira sistematizada por observação direta, questionários auto aplicados ou por meio de entrevistas do próprio indivíduo ou de seu acompanhante (familiar ou cuidador) e são denominados instrumentos de avaliação funcional.

Uma dificuldade se apresenta na avaliação funcional do idoso é que a maior parte dos instrumentos de avaliação utilizados não são validados e adaptados ao nosso meio.
Vários testes e escalas, consagrados pela literatura, vem sendo aplicados em nosso meio na prática clínica e em estudos clínicos e epidemiológicos.
Os principais instrumentos de avaliação funcional são:



Ambientes físicos inadequados também contribuem para diminuição da capacidade funcional do idoso. O ambiente adequado ao idoso deve propiciar acessibilidade, autonomia, comunicação, proteção e segurança.
É necessário avaliar a possibilidade de introduzir modificações que possam reduzir as desvantagens, tornando a casa e os ambientes externos mais convenientes às limitações dos idosos, procurando garantir-lhe o máximo de independência e segurança possível. Para isso, muitas vezes é necessária uma visita ao domicílio do paciente, onde o examinador deverá observar a acessibilidade e a presença de fatores de risco relacionados ao mobiliário, aos degraus, pisos e a iluminação inadequados.
Redes de suporte social são conjuntos hierarquizados de pessoas que mantêm entre si laços típicos das relações de dar e receber. Elas existem ao longo do ciclo vital, no entanto, a sua estrutura e suas funções sofrem alterações dependendo das necessidades das pessoas. A falta de suporte e de adequação do idoso à vida familiar e social é um dos fatores que contribuem negativamente para as suas condições clínicas e seu estado funcional.